Categoria: Sustentabilidade e resiliência

  • Água, sombra e moradia: uma leitura integrada do bairro

    Água, sombra e moradia: uma leitura integrada do bairro

    Artigo fictício para demonstração. Cenários, locais e situações são imaginários. Este conteúdo não relata projetos da Regenere Cidades nem constitui orientação técnica, jurídica ou financeira.

    O bairro muda ao longo do dia.

    No bairro fictício Vila do Sol, a mesma rua tinha usos diferentes pela manhã e à tarde. O caminho para a escola passava por trechos sem sombra. Depois de uma chuva, alguns moradores evitavam uma esquina. A história começou com a observação dessa rotina, antes de qualquer proposta de intervenção.

    Relacionar as informações.

    O exercício imaginário reuniu relatos, fotografias ilustrativas e um desenho simplificado da área. Os participantes procuraram conexões entre percursos, ocupação dos espaços e condições ambientais. O objetivo não era diagnosticar o bairro com informações incompletas, mas reconhecer o que ainda precisava ser investigado.

    Perguntas antes de respostas.

    Onde a água circulava? Quais espaços eram usados para permanecer e conversar? Quem encontrava mais dificuldade para caminhar? Cada pergunta apontava para a necessidade de uma leitura cuidadosa. Soluções reais dependeriam de avaliação técnica e das características específicas do local.

    Pensar o futuro a partir do cotidiano.

    A Vila do Sol não é um caso da Regenere Cidades. É um exemplo fictício de como temas ambientais podem aparecer nas experiências diárias. Aproximar moradia, infraestrutura e meio ambiente significa observar essas relações e construir decisões a partir de informações consistentes.

  • MUDANÇAS CLIMÁTICAS, CIDADES E RESILIÊNCIA URBANA

    MUDANÇAS CLIMÁTICAS, CIDADES E RESILIÊNCIA URBANA

    MUDANÇAS CLIMÁTICAS, CIDADES E RESILIÊNCIA URBANA

    Estamos enfrentando desafios sem precedentes relacionados às mudanças climáticas, e as cidades são locais cruciais para sua abordagem e enfrentamento, uma vez que mais de 60% da população brasileira encontra-se em áreas urbanas.

    Por Gustavo Carneiro

    À medida que as mudanças climáticas se intensificam, os impactos nas cidades tornam-se cada vez mais evidentes, demandando soluções inovadoras e resiliência urbana. 

    Vimos o ano de 2023 entrar para a história do Brasil como o mais quente já registrado. Este ano, sofremos com a seca na Amazônia e com as enchentes no Rio Grande do Sul. 

    Tivemos uma série de eventos climáticos extremos que fez com que cerca de 2.797 municípios decretassem estado de emergência ou calamidade, diante de desastres naturais que desafiam a infraestrutura urbana existente e colocam em risco a segurança e o bem-estar dos habitantes.

    As cidades brasileiras vêm enfrentando desafios complexos ao longo de décadas, incluindo a gestão de recursos hídricos, a expansão urbana descontrolada e o aumento da demanda por energia. Somados a estes, os impactos da mudança do clima afetam as comunidades urbanas de maneira desproporcional, exacerbando as desigualdades sociais já presentes.

    A resiliência urbana emerge como uma resposta crucial aos desafios impostos e representa a capacidade de as cidades se adaptarem, se recuperarem e se transformarem diante de eventos climáticos extremos e outras perturbações. A resiliência urbana não se trata apenas de infraestrutura robusta, mas também de comunidades engajadas, governança eficaz e inovação.

    Devemos incentivar a participação ativa da comunidade no planejamento urbano e na implementação de medidas de resiliência, que promovam a inclusão e a coesão social.

    Ao nos envolvermos com essas realidades e buscar desenvolver cidades mais compactas, que prezem pela existência de praças e parques urbanos, pela aplicação de pavimentação permeável, pela acessibilidade a pé e de bicicleta, pela conservação de áreas verdes, tanto em áreas públicas quanto privadas, e que promovam o plantio de árvores e a conservação de florestas urbanas, passaremos também a discutir e aplicar estratégias abrangentes que considerem a interconexão de riscos ambientais, sociais e econômicos, permitindo uma resposta mais eficaz a eventos extremos.

    As mudanças climáticas apresentam desafios significativos para as cidades, mas também oferecem oportunidades para inovação e transformação destas. 

    Ao adotar práticas sustentáveis, promover a resiliência urbana e envolver ativamente as comunidades, as cidades podem não apenas enfrentar os desafios climáticos, mas também criar ambientes urbanos mais inclusivos, saudáveis e sustentáveis.

     A resiliência urbana pode ser a chave para garantir que nossas cidades prosperem em um mundo em constante mudança.

  • Convergência Urbana: Integrando ações sobre regularização fundiária urbana e resiliência climática na arquitetura e urbanismo

    Convergência Urbana: Integrando ações sobre regularização fundiária urbana e resiliência climática na arquitetura e urbanismo

    CARNEIRO, Gustavo Braz
    Arquiteto e Urbanista;CAU A122046-2
    gustavo@grupos2c.com

    As cidades contemporâneas apresentam dois desafios notáveis: a crescente necessidade de regularização fundiária urbana e a urgente resposta às mudanças climáticas. A regularização fundiária urbana busca legitimar e integrar áreas urbanas, enquanto a resiliência climática busca adaptar e mitigar os impactos do clima em transformação. Este artigo busca manter a discussão sobre a convergência entre estes temas, identificando oportunidades para a atuação integrada de arquitetos e urbanistas.

    A regularização fundiária urbana, longe de ser uma mera formalização jurídica ou de recebimento de impostos, é, na verdade, um processo de reparação e reconhecimento. Reflete a busca por justiça social, garantindo direitos fundamentais às populações historicamente marginalizadas. No entanto, quando essas áreas são integradas à estrutura oficial da cidade, não se pode ignorar o cenário ambiental em transformação. A urbanização, se mal planejada, pode ser uma fonte significativa de vulnerabilidades frente às mudanças climáticas.

    Por outro lado, as mudanças climáticas, com suas consequências drásticas, como elevação do nível do mar, ondas de calor mais intensas e eventos climáticos extremos, reforçam a necessidade de se pensar em soluções urbanas inovadoras e resilientes. A vulnerabilidade de assentamentos irregulares e comunidades desprotegidas é agravada em situações de desastres naturais, o que ressalta a importância da interseção entre esses dois desafios.

    Diante desse panorama, surge uma pergunta crucial: Como os profissionais da arquitetura e urbanismo podem efetivamente integrar essas duas frentes, mitigando impactos negativos e construindo cidades mais justas e com capacidades adaptativas?

    Interconexões e oportunidades

    Ao abordarmos a regularização fundiária urbana é preciso perceber que esse processo desbloqueia uma janela de oportunidades urbanísticas; a integração de áreas antes à margem do planejamento oficial da cidade permite uma reflexão profunda sobre a tessitura urbana, levando-nos a projetar com maior sensibilidade às nuances ambientais. Tais ações, aliadas à criação e manutenção de espaços verdes, são fundamentais para reduzir ou mesmo extinguir ilhas de calor, beneficiando diretamente as comunidades recém-integradas e toda a cidade, estabelecendo um microclima adequado a manutenção das atividades humanas, dentro da zona de conforto.

    A regularização fundiária urbana e a subsequente transformação urbana são oportunidades ímpares para fortalecer o tecido social da comunidade. As intervenções físicas devem ser acompanhadas de programas de engajamento comunitário, assegurando que os residentes se sintam parte integrante das mudanças e tenham voz ativa no processo. Essa inclusão não só potencializa o sucesso das intervenções, mas também constrói uma base sólida para a resiliência comunitária em face aos desafios presentes e futuros.

    Habitação e mobilidade

    A integração e a transformação das áreas urbanas, especialmente em nações em desenvolvimento, são processos complexos que exigem uma abordagem holística. No centro dessa metamorfose está a compreensão da habitação e mobilidade, não apenas como infraestruturas físicas, mas como direitos fundamentais que formam a espinha dorsal de uma cidade verdadeiramente inclusiva e resiliente.

    No Brasil, onde os contrastes urbanos são tão evidentes e onde áreas informais e falta de infraestrutura adequada coexistem lado a lado com modernos centros urbanos, a urgência de soluções integradas torna-se ainda mais palpável. Neste contexto, surgem programas como o Athis (Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social) do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e o Reurb do Governo Federal. Ambos representam não apenas esforços para combater a informalidade, mas também uma tentativa de repensar a paisagem urbana, priorizando o bem-estar e a inclusão de seus habitantes.

    A mobilidade sustentável, em sua essência, é mais do que apenas movimento; diz respeito à conectividade, à acessibilidade e à igualdade. Na sequência das recentes transformações urbanas, têm-se percebido uma mudança de paradigma, na qual a mobilidade não é apenas facilitada, mas incentivada de maneira ecológica. Bairros que antes estavam isolados agora são integrados, não apenas através de ruas e avenidas, mas também por meio de rotas acessíveis e ecológicas, favorecendo o transporte público coletivo, o uso de bicicletas e a realização de caminhadas através de vias peatonais. Essa reorientação, além de reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), reforça um compromisso com uma urbanidade saudável, tornando as cidades lugares onde respirar – no sentido literal e figurado – se torna mais fácil.

    Infraestrutura e comunidade

    Em muitas cidades brasileiras, as áreas urbanas expandiram-se de maneira desordenada, deixando muitas comunidades isoladas, tanto geograficamente quanto em termos de acesso a infraestruturas adequadas. No entanto, a comunidade, ao se posicionar como agente transformador, figura como peça fundamental para reversão desse cenário. Quando ativamente envolvida em processos de regularização fundiária urbana, sua contribuição transcende à simples ocupação do espaço, moldando efetivamente a paisagem urbana e, simultaneamente, promovendo práticas que são ecologicamente sustentáveis e climaticamente adaptáveis.

    A reinvenção da infraestrutura em áreas regularizadas vai além das edificações, fornecimento de água e energia, tratamento de esgoto, drenagem pluvial e vias de transporte. Implica repensar como as cidades interagem com o ambiente natural. Incorporar soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva para gestão de águas pluviais, biovaletas para filtragem natural e áreas permeáveis para redução de inundações, destaca uma abordagem integrada que prioriza o bem-estar tanto das pessoas quanto do meio ambiente.

    Mas, como salientado anteriormente, toda essa transformação tem na comunidade o seu epicentro.Seu envolvimento assegura que as intervenções urbanas sejam não apenas legítimas, mas também sustentáveis a longo prazo. Mais do que simples residentes, os membros da comunidade se tornam guardiões do ambiente, impulsionando a coesão social e fortalecendo a capacidade da cidade de enfrentar futuros desafios. Por meio de educação e participação contínua, a comunidade não apenas se adapta, mas lidera a vanguarda de um urbanismo mais sustentável e resiliente.

    Participação ativa dos arquitetos e urbanistas

    No complexo cenário urbano contemporâneo, os arquitetos e urbanistas são atores essenciais na formulação e realização de visões urbanas integradas e resilientes. A sua atuação vai além da mera prática técnica, estendendo-se à função de mediadores, educadores e defensores.

    Esses profissionais têm a responsabilidade de se manterem sensíveis às complexidades sociais das áreas em que trabalham. Ao desenvolver projetos amplos de regularização fundiária urbana, devem fomentar e participar de diálogos abertos com as comunidades, garantindo que seus anseios e preocupações sejam considerados.

    Em muitos cenários, arquitetos e urbanistas atuam como pontes entre várias partes interessadas, desde autoridades governamentais e investidores até comunidades locais e ONGs. E dispõem da capacidade de traduzir visões técnicas para públicos leigos e vice- versa, facilitando consensos e garantindo que os projetos sejam mais integrativos.

    Ao compartilhar seus conhecimentos, promovem uma maior compreensão dos desafios e das possíveis soluções. Além disso, podem advogar por políticas públicas mais inclusivas e sustentáveis, usando sua influência para direcionar a agenda urbana.

    Em suma, a atuação pró-ativa e consciente desses profissionais é a chave para garantir que a convergência entre regularização fundiária urbana e resiliência climática seja não apenas teórica, mas concretamente realizada nas paisagens urbanas.

    Conclusão

    A convergência entre regularização fundiária urbana e resiliência climática na arquitetura e urbanismo não é apenas uma possibilidade, mas uma necessidade. Para cidades que enfrentam desafios complexos de informalidade, desigualdade e mudanças climáticas, uma abordagem integrada oferece uma via de solução holística.

    A atuação de arquitetos e urbanistas é fundamental neste cenário. Eles detêm as ferramentas para planejar cidades que honrem o direito à moradia aos seus cidadãos, ao mesmo tempo em que consideram os desafios ambientais do presente e do futuro. A visão proposta neste artigo é de cidades inclusivas, resilientes e sustentáveis, onde a regularização fundiária urbana torna-se um meio de grande importância para o desenvolvimento de cidades mais integrativas e adaptativas.


    Este artigo foi publicado no II Seminário Nacional de Formação, Atribuições e Atuação Profissional do CAU.

    REFERÊNCIAS

    BARROS E SILVA, E.; CAVALCANTI, E. Resiliência e Capacidade Adaptativa: Recursos Para a

    Sustentabilidade de Cidades e Comunidades. In: Anais do XV ENANPUR 2013.

    CARNEIRO, G. Projeto para Habitação Social no Amazonas. In: Anais do ENTAC 2006.

    CARNEIRO, G. Surgimento de Identidade na Ocupação do Projeto Morar Bem I. In: Anais do CHAB

    2006.

    FEUERSTEIN, G. Ligando os Pontos: Fototropia, Instinto de Nomadismo, Colapso da Biosfera e a

    Salvação do Nosso Planeta. São Paulo: Pensamento, 2013.

    MIGLIORANZI, V.; CERVINI, E. Identidade Habitacional e Pós-Ocupação: Estudo de Caso do Conjunto A

    Habitacional Pedro Afonso Junqueira. In: Anais do I CTHAB 2003.

    SATTLER, M.; SEDREZ, M.; ROSA, T.; SPERB, M. Aplicação de Tecnologias Sustentáveis em um Conjunto Habitacional de Baixa Renda. In: Coletânea Habitare Vol. 2 – Inovação, Gestão de Qualidade & Produtividade e Disseminação do Conhecimento na Construção Habitacional. Porto Alegre: Carlos

    Torres Formoso e Akemi Ino, 2003.

    TEIXEIRA, R.; PESSOA, Z. Planejamento Urbano e Adaptação Climática: Entre Possibilidades e Desafios em Duas Grandes Cidades Brasileiras. Natal: Revista Brasileira de Estudos de População, 2021.

    WALLACE-WELLS, D. A Terra Inabitável: Uma História do Futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

    ZWINGLE, E. Caos Urbano. In: National Geographic – Brasil, ed. 31, 2002.

  • Áreas de Risco e Regularização Fundiária: Desafios e Perspectivas

    Áreas de Risco e Regularização Fundiária: Desafios e Perspectivas

    A questão das áreas de risco e a regularização fundiária são temas cruciais para o desenvolvimento sustentável das cidades. Muitas áreas urbanas enfrentam desafios relacionados à ocupação desordenada do solo, o que resulta em riscos ambientais, sociais e econômicos. Este artigo aborda a importância da regularização fundiária como ferramenta para mitigar os riscos associados a áreas urbanas vulneráveis.

    1. Definição de Áreas de Risco:

    Áreas de risco referem-se a locais urbanos suscetíveis a eventos como deslizamentos de terra, inundações, incêndios e outros desastres naturais. A ocupação desordenada do solo muitas vezes coloca comunidades em situações de vulnerabilidade, aumentando o impacto desses eventos.

    2. Causas da Ocupação Desordenada:

    Diversos fatores contribuem para a ocupação desordenada, como crescimento populacional rápido, falta de planejamento urbano eficaz, pobreza e a ausência de políticas habitacionais adequadas. Essa realidade cria um ciclo de riscos que afeta principalmente as populações mais carentes.

    3. Regularização Fundiária como Solução:

    A regularização fundiária é uma abordagem que visa legalizar a posse da terra e fornecer infraestrutura básica em áreas ocupadas de forma irregular. Ao conceder títulos de propriedade, os moradores têm maior segurança jurídica, o que facilita o acesso a serviços públicos e contribui para a redução dos riscos associados à ocupação desordenada.

    4. Desafios na Implementação da Regularização Fundiária:

    Embora a regularização fundiária seja uma solução promissora, sua implementação enfrenta desafios significativos. Estes incluem questões burocráticas, resistência da população local, falta de recursos financeiros e técnicos, bem como a necessidade de conciliar interesses públicos e privados.

    5. Exemplos de Sucesso:

    Várias cidades ao redor do mundo têm alcançado sucesso na regularização fundiária, reduzindo os riscos associados a áreas de risco. Bogotá, na Colômbia, é um exemplo notável, onde o programa de regularização fundiária melhorou as condições de vida em áreas anteriormente vulneráveis.

    6. Perspectivas Futuras:

    O futuro da regularização fundiária envolve uma abordagem integrada que considera não apenas a legalização da posse da terra, mas também o desenvolvimento sustentável das comunidades. Isso inclui a implementação de infraestrutura resiliente, programas de educação ambiental e a participação ativa da comunidade no processo decisório.

    Conclusão:

    Áreas de risco e a regularização fundiária estão intrinsecamente ligadas, representando um desafio complexo que exige ações coordenadas. A regularização fundiária não é apenas uma questão legal, mas uma ferramenta essencial para promover a segurança e o bem-estar das comunidades em áreas urbanas vulneráveis. O investimento em políticas públicas eficazes e o engajamento da sociedade civil são passos fundamentais para transformar áreas de risco em espaços urbanos seguros e sustentáveis

  • Tragédias no litoral norte: O desespero de quem vive em áreas de risco.

    Tragédias no litoral norte: O desespero de quem vive em áreas de risco.

    No feriado de carnaval de 21 de fevereiro, o litoral norte do estado de São Paulo foi atingido por fortes chuvas que causaram danos irreparáveis à população. O município mais afetado foi São Sebastião, com vários deslizamentos de terra em construções situadas em áreas de risco.

    Em novembro de 2020, uma vistoria do Ministério Público de São Paulo na Vila Sahy apontou problemas, após a prefeitura pedir uma análise do projeto “Regularização Fundiária Sustentável“. A proposta era de urbanizar e legalizar a situação dos imóveis, mas a gestão municipal reconheceu “situações de alto risco a escorregamentos”, sem informar se havia necessidade de remover as casas. O plano continha “informações imprecisas, como a quantidade de famílias que deveriam ser removidas ou readequadas”, segundo a promotoria, que pediu uma atualização do número de moradores da região. Um relatório de 2018 mostrava que havia 161 moradias em São Sebastião em áreas de alto risco para deslizamentos.

    Além disso, a cidade de São Sebastião está sem receber recursos da Defesa Civil paulista para prevenção de desastres naturais desde 2013.

    Os governos estaduais investiram apenas 62% da verba aprovada para prevenção de desastres naturais nos últimos doze anos, deixando de investir quase R$ 4 bilhões que poderiam ter sido usados para evitar tragédias como a ocorrida no litoral norte. Em 2022, foi aprovada uma verba recorde de R$ 1,99 bilhão para infraestrutura hídrica e combate a enchentes, mas apenas R$ 1,72 bilhão foi investido. Ou seja, pouco mais de R$ 271 milhões deixaram de ser utilizados.

    A negligência dos governos em relação à prevenção de desastres naturais é uma grande preocupação para a população que vive em áreas de risco, especialmente em São Sebastião, onde as chuvas de carnaval deixaram muitas famílias desabrigadas. O prefeito da cidade está em contato direto com membros do poder estadual e federal para obter suporte na realização de melhorias na cidade e ajudar as pessoas que foram afetadas pelas chuvas.

    Em resumo, é importante lembrar que a prevenção de desastres naturais deve ser uma prioridade para todos os governos, para evitar tragédias e proteger a vida da população que vive em áreas de risco.

    Por: Ana Carolina Marinho 03/03/2022